Apr
12
Sorte não, aleatoriedade. Por Eduardo Guerra
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Os dados são um dos principais símbolos dos jogos de tabuleiro devido a estarem presentes em diversos jogos.

 Curiosamente, vejo que muitos jogadores possuem pavor a esse componente. Muitas vezes, só de ouvirem que o jogo utiliza dados, já não querem nem saber. Isso acontece, pois os dados são muitas vezes associados a sorte, só que isso nem sempre é verdade.
A mecânica “Rolar e Mover” é o que vem na mente de muita gente quando se fala em dados. Consagrada em jogos como Banco Imobiliário e Ludo, em geral, a jogada é completamente determinada por uma rolagem de dados. Porém, existem diversos jogos que utilizam dados que possuem mecanismos que permitem mitigar um pouco essa questão da sorte. Um exemplo é o mecanismo utilizado pelo jogo Yahtzee, que permite re-rolar quantos dados o jogador quiser mais duas vezes. Jogos como King of Tokyo e CV utilizam um mecanismo similar!
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Em alguns jogos, principalmente os que possuem dados customizados, algumas vezes o dado não possui necessariamente uma face melhor e outra pior. A face dos dados pode fornecer um contexto diferente a cada turno ou rodada, sendo que em alguns casos ele pode favorecer o jogador e em outros pode dificultar sua vida.
Um exemplo desse caso é o Crop Rotation, onde o dado que o jogador lança no começo de seu turno dá uma vantagem em sua jogada. Essa vantagem pode ser exatamente o que o jogador precisava, ou ser completamente inútil naquele momento. O que é interessante é que a mesma vantagem pode ser muito boa em um caso e inútil em outro. O que vai fazer a diferença é o jogador é saber aproveitar as vantagens que possui da melhor forma possível, sabendo se adaptar ao contexto que o jogo apresenta.
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O dado é uma forma analógica de adicionar algum tipo de aleatoriedade no jogo. Em jogos que não possuem fatores aleatórios, os jogadores conseguem planejar com maior precisão sua jogada, porém, com o tempo, o jogo pode perder sua rejogabilidade. Decks de cartas e a interação com outros jogadores são exemplos de outras formas de adicionar esse fator não-determinístico (ou seja, que não pode ser precisamente determinado). Voltando aos dados, sua presença adiciona um fator que o jogador não pode prever, ao qual o jogador precisa se adaptar.
Um bom jogo que utiliza dados fornece ao jogador possibilidades de interferir nesse fator relacionado com a sorte, tendo formas de manipular e interferir no resultado dos dados. A re-rolagem dos dados é um exemplo, mas também é possível ter a troca das faces do dado, e outros efeitos que de alguma forma alteram o resultado. Alguns jogos, inclusive, permitem que o jogador modifique o efeito causado por cada face do dado.
Mesmo havendo formas de contornar, não dá para negar que em jogos com qualquer fator aleatório acabam envolvendo um pouco de sorte. Por mais que os resultados da rolagem sejam equivalentes, não dá para negar que algumas vezes eles beneficiam mais ou menos um jogador. Porém, em diversos jogos de dados, o fator sorte não consegue superar uma boa estratégia!

Dec
08
Uma Visão Estratégica do Crop Rotation. Por Eduardo Guerra

Hoje trazemos um post do autor do Crop Rotation, Eduardo Guerra. falando mais sobre o jogo!

O Crop Rotation é um jogo de alocação de peças e reconhecimento de padrões que acabou de ser publicado aqui pelo Studio Teia de Jogos. A sua mecânica básica consiste em colocar em um tabuleiro de plantio peças referentes a 3 culturas diferentes (feijão, soja e milho) para formar padrões presentes em cartas de objetivo possuídas pelos jogadores. Para incrementar, um dado é lançado no começo de cada turno do jogador, fornecendo vantagens que variam entre poder colocar uma peça adicional adjacente, substituir uma peça por outra ou retirar uma peça adjacente a sua jogada.

Uma questão importante no jogo é que quando um objetivo é cumprido, as peças que fizeram parte do padrão identificado são retiradas do tabuleiro. Porém, objetivos completados no mesmo turno, podem possuir peças em comum, sendo que em alguns casos é possível compartilhar até 3 peças das 4 presentes no objetivo.

Essa regra trás uma interessante questão ao jogador: esperar para tentar cumprir vários objetivos ao mesmo tempo ou garantir o objetivo que já está completo em sua mão? Se você tem cartas de objetivo que possuem peças em comum, completar apenas um deles pode significar começar o próximo objetivo do zero. Por outro lado, se você esperar, alguém pode acabar retirando ou substituindo uma das peças de um objetivo já completo. Confesso que comigo as duas situações já ocorreram: tanto ter objetivos completos destruídos pelos outros jogadores, quanto conseguir conciliar vários objetivos utilizando peças em comum para completar até 3 objetivos no mesmo turno.

Outra possibilidade estratégica que pode ser considerada é tentar atrapalhar os outros jogadores a cumprirem seus objetivos. Por mais que as cartas de objetivo dos adversários não estejam visíveis, é possível observar através das suas jogadas, em que região do tabuleiro estão colocando suas peças. Dessa forma, quando a vantagem fornecida pelo dado não puder se utilizada para ajudar em seus objetivos, você pode tentar atrapalhar os objetivos de seu adversário (com a ressalva que sem querer pode acabar ajudando!). Até mesmo colhendo seus objetivos, você pode retirar parte de um objetivo de seu oponente que estava quase completo.

Finalmente, uma questão que não pode ser deixada de fora é que ao cumprir um objetivo, você não compra uma nova carta de objetivo automaticamente. Novas cartas de objetivos são ganhas ao se criar sequências de 3 culturas iguais no tabuleiro, seja na horizontal, vertical ou diagonal. Essas sequências, por não estarem presentes nos objetivos, acabam atrapalhando seus adversários, e podem ser uma boa alternativa quando nenhuma jogada parece ajudar muito a se aproximar de um de seus objetivos. Uma dica é tentar não focar somente em cumprir seus objetivos e acabar ficando sem cartas, pois isso irá dar chance de seus adversários se recuperarem. Quanto mais objetivos você possuir, maiores as possibilidades de aproveitar algum padrão já existente no tabuleiro!

Como você pôde ver, apesar do Crop Rotation ser um jogo simples e fácil de aprender, a interação entre os jogadores e a interferência de um no jogos dos outros pode ser grande. Dessa forma, tentar explorar os limites dessa interação, como apresentado nesse post, pode gerar uma profundidade estratégica maior durante as partidas, aumentando diversão para todo mundo!

Se ainda não jogou, o Crop Rotation pode ser baixado aqui no blog do Studio Teia de Jogos, no endereço www.studioteiadejogos.com.br/p/crop-rotation.html. Divirta-se!

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