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Blog

Jun
10
Coisas que só um homemader vai entender.


O barulho da mini retificadora lixando os cubos de madeira. As manchas de tinta na roupa. Momentos de diversão com os amigos resultantes de um trabalho manual.
A produção de jogos homemade tem várias facetas, mas hoje eu quero falar da recompensa e da liberdade de ter um jogo feito por você. Sim, você que decidiu tentar fazer seu primeiro jogo, ou até você, que tem preconceito pelo homemader e acha que ele vai falir sua empresa favorita, ou que ele lesa o criador vão, se continuarem lendo este texto, entender uma das maiores satisfações de alguém que decidiu fazer um jogo de tabuleiro do seu jeito.
A satisfação de ter as coisas do seu jeito, feitas por você.
O Homemader não é um inimigo

Terapia, satisfação e diversão.

Uma das atividades que muito boardgamers, especialmente aqueles dedicados a wargames e jogos de miniaturas em geral se dedicam, é à pintura de miniaturas. As miniaturas vêm monocromáticas e muitas vezes elas ficam muito melhores pintadas.
A sensação é a mesma, mas potencializada diversas vezes, porque você fez simplesmente tudo! A sensação das pessoas maravilhadas com o jogo que você mesmo fez, e você conseguindo demonstrar que realmente se importa com elas ao dar um pedaço da sua arte (você recortou, colou, pintou, fez caixa, cara, é arte), aliada a arte do criador de jogos e do ilustrador (ou até com alguma arte alterada, feita por você mesmo), faz da experiência de jogar algo único, muito mais pessoal e até mais recompensador do que jogar um jogo comprado.

A poderosa liberdade de jogar.

Boardgames não são baratos. Se o valor é justo ou não é totalmente irrelevante a questão discutida no momento (talvez eu expresse minha opinião a respeito, algum dia. Só talvez). O importante é pensarmos que não são baratos.
Por isto mesmo, tomamos diversos cuidados com os boardgames, cuidados que podem beirar a paranóia às vezes (o boardgamer que nunca reclamou da mão de salgadinho ou do copo na mesa que atire a primeira pedra). As editoras não fazem troca de componentes destruídos em acidentes de mesa e não vendem peças sobressalentes, ou seja, o cuidado é mais do que justificado.
Você lavou e secou as mãos antes de jogar?
 
Por outro lado, isto estraga a diversão. É equivalente a deixar uma criança ir ao parquinho com os amigos, mas não poder brincar direito por causa da roupa nova (de novo, quem nunca passou por isso, atire a primeira pedra).
Não duvido que o excesso de zelo pelo jogo já não tenha causado desconforto na sua mesa de amigos, por todos estes motivos que citamos aqui.
Quando o assunto é um jogo homemade, a coisa fica um pouco mais tranquila, pois as pessoas sentem menos a falta da peça, da carta, do que for.
Afinal, foram elas mesmas que fizeram, e isto torna o prejuízo menor.
Quando você mesmo montou o jogo, as crianças que amassam cartas, o amigo desleixado que pega com a mão suja nos componentes e todos estes inconvenientes se tornam, pelo menos, menos dramáticos, e você pode focar naquilo que realmente deseja quando faz ou compra um jogo de tabuleiro: se divertir.
Por estas e outras, eu digo que a arte do homemade deveria ser mais respeitada e o crédito aos criadores mais esmerados e criativos deveria ser dado.
Jun
06
Algumas novidades e um pouco mais do projeto.

Olá. Sei que deveria postar com mais frequência. Quero pedir perdão, pois existem vários projetos correndo ao mesmo tempo e eu preciso me organizar melhor para fazer tudo.
Ok, chega de desculpas, vamos aos assuntos do dia..
Estou fazendo este post para anunciar, entre outras coisas, meu parceiro nesta empreitada maluca de disponibilizar jogos gratuitos neste blog e pedir por doações.  
O Grande Gabriel Tardivo! (VEJA MAIS DO EXCELENTE TRABALHO DELE)

E esse papo de doações?

Sim, vou pedir doações para continuar o trabalho.
Não, não estou morrendo de fome ou pedindo esmola.

Este homem está pedindo esmola ou trabalhando?

Eu prefiro, ao invés de eu dizer “meu jogo vale tanto” e te forçar a pagar para saber se ele vale o que você pagou, quero que você, depois de jogar, veja tudo que eu tive o carinho de fazer, o trabalho de pensar, todo o resto, e me diga:
O quanto valeu esta experiência?
Da mesma forma que um artista de rua, eu vou pôr meu trabalho aqui, e quero que você o aproveite, sem pagar nada por obrigação.
Apenas se quiser.
Não só os jogos, mas minhas histórias também (leia aqui). Leia, entre no estranho mundo da minha mente.
Dentro em breve, você verá também o que o Ulisses vê, como ele é capaz de dar vida, cor e traço ao que eu apenas imaginei.
E o mais fantástico? Se você me mandar um recado por aqui, ou pelas mídias sociais, por onde for, você já vai estar fazendo algo especial.
Você não me deixou falando sozinho. Já é muito bom.

Amanda Palmer: “deixe que as pessoas ajudem”.

 Como parte do nosso “negócio”, farei também, nos meus próximos posts, resenhas de excelentes jogos que estão disponíveis, de graça, para você baixar, imprimir, jogar e se divertir.
Prometo também dar mais notícias dos próximos jogos que estão em produção, minhas considerações sobre o PNP, etc.
 Bem é isso. No próximo post, vamos falar de dois caras fantásticos que fazem jogos minimalistas, com ilustrações simples, mas que são também referência na minha produção de jogos.
Até mais.

May
31
Por que criei este blog?

 

Acho que a primeira resposta, acima de tudo, é porque eu tenho problemas com a aceitação de fatos inexplicáveis.
  Sempre que alguém me disser “é assim porque é”, eu sei que algo em mim vai discordar e se mover em relação a isso. Aconteceu com os jogos de tabuleiro.


  Tive longas e estressantes discussões com diversas pessoas que conheci pela internet, pessoas que tem suas razões para dizer o que dizem. Não as acho piores do que eu, só diferentes. Elas acreditam naquilo, quem sou eu para dizer que elas estão erradas? Elas acham que os jogos tem de ser caros, que a dificuldade de produzir algo que tem um mercado restrito justifica o preço que eu considerado alto.
 Eu acho que isso é só uma forma de manter o que é restrito desta forma, como se o fato de popularizar um hobby, que carece de uma falta crônica de participantes, o tornasse menos interessante. “Somos um clubinho de pessoas superiores que jogam jogos de tabuleiro”.É como eu enxergo.
 Sei que muitos pensam comigo, mas que ainda enxergam o homemade como algo errado, como pirataria.
Para mim, isto é tão ridículo quanto uma pessoa dizer que o fato de uma pessoa saber cozinhar faz com que ela vá menos a um restaurante.Você não paga pelo jogo, paga pela experiência dele, pelo que ele te proporciona.
  Como acredito que esta discussão vai continuar durante toda a existência deste blog, e provavelmente eu enfrentarei montes e montes de rage, vou falar de outra influência que me levou a abrir este blog, e como ela mudou a forma como vejo o que faço.
O livro “A arte de pedir”, da autora, cantora e performista Amanda Palmer. Ele me levou a um outro ponto de vista do que é ser um artista (não se engane, jogos são arte) e de como tudo que você precisa para viver de arte é deixar que as pessoas te ajudem.
Decidi fazer isso. De quebra, vou me livrar de um monte de problemas.
Um jogo de tabuleiro tem uma grande quantidade de componentes, e colocar componentes dentro de uma caixa e mandar para uma pessoa é uma grande responsabilidade. Uma responsabilidade que eu não quero para mim.
Eu sou um contador de histórias, um escritor que está experimentando a sensação de colocar regras dentro de uma ideia e transformá-la em um jogo. Isso não me qualifica em buscar fornecedores e oferecer a coisa toda, até porque eu já tenho outros projetos.
Também não quero me aliar a uma editora, pelo menos não por enquanto.Para que complicar? Colocar uma pessoa que vai ficar em dizendo como fazer as coisas e tudo o mais? Não quero.
Gosto da liberdade de ser o único responsável pelas minhas ideias, e mudá-las de acordo com o gosto de quem está consumindo. Esta conexão direta é fantástica. É esta rede que eu quero para mim.
Seja bem vindo a rede de jogos. A ideia inicial é esta, o resto a gente vai descobrindo no caminho.